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O QUINTO ELEMENTO/ A PEDRA FILOSOFAL/ A FONTE DA JUVENTUDE


O QUINTO ELEMENTO
O quinto elemento é a energia pura emanada do centro criador, presente em todos os compostos. Os sábios o consideram a causa ou origem dos outros quatro elementos. É o poder espiritual presente em todos os mistos. É a chamada Quinta Essência dos antigos e verdadeiros alquimistas.
O termo "Quinta Essência" provavelmente foi primeiramente elaborado pelo filósofo Aristóteles, que considerava que o universo era composto de quatro elementos principais, a saber: terra, água, ar e fogo. Segundo a sua tese, além destes, deveria haver uma substância etérea que ineterpenetra em todos os compostos e impedindo os corpos celestes de caírem sobre a Terra. Depois disso; muita discussão se transcorreu entre alquimistas ou não, sobre a existência, a natureza e a qualidade desse elemento primordial do qual tudo se origina e no qual tudo se mantém. Isaac Newton foi quem mais defendeu a existência dessa "quintessência" em suas teorias e discussões sobre os conceitos de matéria e energia. Muitas vezes, Newton deixou transparecer a sua crença em uma força imaterial presente nos corpos materiais e nas formas de energia. Ele admitia que matéria e luz comunicavam-se por algo desconhecido pela ciência. Em suas teorias sobre a propagação das vibrações dos corpos, chamava essa essência desconhecida pelo sugestivo nome de "espírito da matéria".
De Aristóteles aos cientistas modernos, muito já se cogitou sobre a força oculta presente em todas as coisas.  Em 1998, três astrofísicos da Universidade de Pensilvânia mencionaram o termo "Quinta Essência" para designar um campo dinâmico quântico que é gravitacionalmente repulsivo.
Hoje; a ciência já está quase confirmando a realidade da existência de um quinto elemento através da Física Quântica. No entanto; devemos reconhecer que ainda há uma grande barreira separando a ciência tradicional da grande realidade espiritual que nos cerca. O ceticismo da ciência é um impecilho no caminho para a descoberta de que há um Poder Cósmico manifestado e manifestando-se em tudo. Há raras exceções ao ceticismo acadêmico, como o próprio Isaac Newton, cientista altamente espiritualizado que como legado nos deixou um vasto conhecimento científico. Mas suas teorias nos provam que ele, além de ter adquirido grande inteligência, possuía também a sabedoria. Eis uma frase célebre de Newton que nos convida a pensar que é possível haver uma comunhão entre a ciência e a espiritualidade:
Do meu telescópio, eu via Deus caminhar! A maravilhosa disposição e harmonia do universo só pode ter tido origem segundo o plano de um Ser que tudo sabe e tudo pode. Isto fica sendo a minha última e mais elevada descoberta. (Isaac Newton)
Esperamos que a ciência atual evolua cada vez mais para curar as mazelas que afligem a humanidade. Para tanto, reconhecemos que será necessário agir com uma razão lógica absoluta que dissipe toda a superstição que possa pairar sobre a humanidade. Mas isso não significa deixar de lado aquilo que desconhecem ou são incapazes de perceber com seus aparelhos avançados porém inapropriados para serem capazes de visualizar os aspectos mais sublimes da energia e da luz. É necessário que a comunidade científica tenha a humildade para reconhecer que nem tudo pode ainda ser medido ou experimentado por seus meios e métodos de trabalho e análise. E, como Isaac Newton ou Albert Einstein, serem capazes de adquirirem conhecimento, mas não apenas isso. Também é necessário adquirir sabedoria. Aí sim, ciência e religião se unirão numa coisa só e tudo o que o homem realmente precisa para dar um salto evolutivo, aparecerá do nada como resposta à sua capacidade de enxergar o que estava oculto à sombra de sua própria ignorância.
Há uma resposta para todas as buscas e uma solução para todas as aflições humanas. Basta apenas utilizar-se dos meios adequados para tal. Essa solução mágica que pode curar o mal está necessariamente no mesmo local de onde o mal se originou... na fonte de tudo... no Quinto Elemento. Aí está a fonte dos milagres a que a ciência deve recorrer reconhecendo que tudo é um milagre, a começar pelo próprio conhecimento adquirido através da ciência. Albert Einstein já dizia: Só existe duas formas de viver a vida. A primeira é pensando que o milagre não existe; a outra é pensando que tudo é milagre.
A busca maior da alquimia interior, consiste na manutenção deste Quinto Elemento, através de técnicas químico-espirituais que visam a obtenção dessa Energia Sagrada para finalidades diversas. Em magia, essa mesma energia é denominada Akasha. Quem aprende a dominar e utilizar essa força torna-se um ser iluminado. Geralmente tal insight só ocorre depois de muitos anos de estudo e meditação quando, trabalhando secretamente no laboratório da alma, o iniciado  compreende a simplicidade do Ser Absoluto e a sua Onipresença e Onipotência. Percebendo que tudo deriva-se dessa coisa única, passa a trabalhar em harmonia com suas Leis e Princípios e em tudo o que vê, sente, toca, consome; sente a presença viva do Divino, do Quinto Elemento.
Quem assimila esse conhecimento torna-se capaz de realizar coisas que a ciência materialista dificilmente conseguirá em suas pesquisas simplórias, que leva em conta apenas o lado visível e paupável dos seus objetos de estudo, deixando de lado o estudo da Essência Espiritual presente em todas as coisas. O Alquimista vai além do químico em suas pesquisas justamente quando ultrapassa em seus estudos a análise materialista dos elementos, acrescentando o tal Quinto Elemento em seus estudos. A própria palavra Alquimia que vem do do árabe, al-khimia, significa a Química de Alá. Al ou Al-lah, em árabe, significa Ser Supremo ou Deus Todo-Poderoso. Khimia significa química. Assim a Alquimia significa a Química de Deus ou a Ciência Sagrada. Aí está o segredo da Pedra Filosofal, do Elixir da Longa Vida apregoados pelos alquimistas como a chave para a transmutação. Eis um segredo revelado: quem adquire o conhecimento sobre os quatro elementos pode fazer manipulações na matéria, quem aprende, compreende e aplica o conhecimento com base na utilização dos cinco elementos, acrescentando o Divino aos quatro anteriores, pode transmutar as coisas... transformar chumbo em ouro.
O estudo dos quatro elementos: ar, água, terra e fogo, tem quase sempre um objetivo intermediário para se chegar ao conhecimento do Quinto Elemento que consiste na Quintessência alquimista. Através de técnicas de trabalho e oração, o Alquimista da Alma consegue penetrar na essência dos materiais e se apoderar da Energia Divina aprisionada em todos os mistos. Alguns o chamam de Pedra Filosofal, outros o chamam de Ovo Filosófico, outros Licor Alkhaest, Elixir da Longa Vida, etc, etc. Assimilar o poder do Quinto Elemento ou da Energia Cósmica Criadora presente em todas as coisas, para o Alquimista, consiste na proeza do que chamam "realização da Grande Obra". Mas tal proeza não está limitada a alguns poucos iluminados que se debruçaram sobre enciclopédias inteiras buscando encontrar o segredo oculto por trás de todas as coisas. Eu, você, qualquer um dos seres humanos que habitam a face da terra podemos nos apropriar desse quinto elemento, na medida de nossas capacidades.
Ore e trabalhe. Eis o segredo para se canalizar cada vez mais uma porção maior do Quinto Elemento em nosso dia-a-dia.
Orat e Labora, diziam os sábios alquimistas:  O  significado da palavra laboratório pode ter tido sua origem nestes termos, do Latim: ore e trabalhe. Eis o segredo maior da alquimia.
Orat e Labora!
É bom deixar claro mais uma vez que não estamos aqui levando em conta todas as tendências de pensamento dentro da Alquimia. Estamos trabalhando apenas com a análise da Arte Real em seu aspecto espiritual e interior. Por outro lado, respeitamos as demais correntes de pensamento que levam em conta outros aspectos nos seus estudos, já que o conhecimento pode ser adquirido por muitos caminhos. Sabemos por estudos que, mesmo muitos dos alquimistas da alma iniciaram seus estudos tendo por base objetivos puramente materialistas e profanos. E, após anos e anos de estudos e experiências diante do seu forno alquímico, descobriram quase sem querer a energia divina presente nos mistos. Debruçados diante do forno e dos livros, nos seus laboratórios, esqueciam-se das coisas mesquinhas da vida e inconscientemente, através de suas meditações, encontravam o que em tese, nem estavam procurando: Deus; fonte de todas as coisas materiais e espirituais.   Muitos dos alquimistas mais célebres começaram pelo lado material e terminaram encontrando o espiritual.
Este texto foi escrito por Francisco Ferreira (Mr. Smith).
Está licenciado sob uma Licença Creative Commons.
A Pedra Filosofal
A Pedra Filosofal ofereceu provas irrefutáveis de sua existência, fato que outrora já nos esforçamos por demonstrar, com a história na mão(98).

Meu Deus, sim, cético leitor, sorris em vão ante o relato de todas essas legendas de velhos alquimistas usando sua vida e dilapidando sua fortuna na procura da Grande Obra. Não se trata de brilhantes quimeras. No fundo de tudo isso oculta-se um reverberante raio de verdade e os dez mil volumes que tratam dessas matérias não constituem obra de malabaristas indignos ou de impudentes falsários.

Os livros de alquimia são escritos de tal forma, que podereis, de maneira mais fácil, dar-vos conta de todos os fenômenos que se sucedem na preparação da Pedra Filosofal, sem jamais chegardes, vós mesmos, a prepará-la.

A razão disto é bastante simples. Os mestres escondem o nome da matéria-prima necessária à obra e o meio de elaborar e de preparar esta matéria-prima pelo emprego do Fogo Filosófico ou Luz Astral humanizada. Ora, é indispensável dizer duas palavras acerca dos fenômenos que assinalam a preparação da Pedra Filosofal, sob pena de jamais se chegar à compreensão do que iremos explicar com referência à figura simbólica de Khunrath considerada alquimicamente.

Quando colocais os dois produtos, sobre cuja origem os alquimistas silenciam prudentemente, no ovo de vidro do athanor e fazeis agir o fogo secreto sobre esta mistura, diversos fenômenos muito interessantes surgem aos vossos olhos.

A matéria contida no athanor torna-se, de início, absolutamente negra. Ela parece putrefata e completamente perdida, mas é neste momento que o alquimista se rejubila, uma vez que reconhece, aí, o primeiro estágio da evolução da Grande Obra, estágio designado pelos nomes de Cabeça de Corvo e Caos.

Essa cor persiste durante vários dias ou várias horas, conforme a habilidade do artista, e, em seguida, quase sem transição, a matéria assume uma coloração branca muito cintilante. Esta cor indica que a combinação entre os dois produtos colocados no athanor está efetuada, a metade do trabalho realizada.

A esta cor branca seguem-se cores variadas, segundo uma progressão ascendente relacionada com o espectro solar, ou seja, começando pelo violeta para elevar-se, passando por uma diversidade de nuanças, ao vermelho púrpura, que indica o fim da Obra.

A esses fenômenos de coloração, estão ligados outros fatos puramente físicos: alternativas de volatilização e de fixação, de solidificação e de semiliqüefação da matéria; fatos que levaram os alquimistas a comparar a criação da Pedra Filosofal pelo homem com a criação do Universo por Deus (fenomenalmente falando). A grande lei da Ciência Oculta, a Analogia, dá a razão de ser de todas as deduções, mas sairíamos do esquema que traçamos se nos detivéssemos mais nesse ponto.

Guardemos simplesmente os três grandes estados por que passa a matéria: o negro, o branco, o vermelho, e, munidos desses dados, vamos à explicação de nossa imagem.

No primeiro relance, aparecem três grandes círculos, cada um deles subdivididos em três outros. O círculo inferior traz, ao centro, escrita em letras maiúsculas e em língua grega, a palavra (Caos).

O círculo médio deixa sobressair sobretudo a palavra REBIS.

Enfim, o círculo superior apresenta a palavra AZOTH.

Caos, Rebis, Azoth são, portanto, os três termos que nos darão o sentido geral de nossa figura.

CAOS (1° Círculo)

O círculo inferior indica a criação da Matéria-prima e nos mostra a imagem do Universo. Ele simboliza particularmente a COR NEGRA da obra, ou a Cabeça de Corvo.

Não nos cabe entrar em todos os detalhes da preparação, revelados pelas palavras contidas no círculo; mostremos simplesmente a verdade de nossa explicação através de um excerto do Dicionário mitohermético de Pernety:

"Desenvolvendo-se este caos pela volatização, este abismo de água deixa ver pouco a pouco a terra, à medida que a unidade se sublima no alto do vaso. Eis porque os químicos herméticos acreditaram que pudessem comparar sua obra, ou o que se passa durante as operações, com o desenvolvimento do Universo quando da criação" (Pernety).

REBIS (2° Círculo)

O segundo círculo apresenta-nos a figura misteriosa do Andrógino hermético (o Sol e a Lua). Nosso sábio irmão Guaita exporá o sentido cabalístico dessa importante figura. Quanto a nós, basta que digamos que ela exprime alquimicamente a COR BRANCA da obra, resultante da união dos dois princípios, positivo e negativo.

O adágio Etiam Mundus Renovabitur Igne, que corresponde ao famoso Igne Natura Renovatur Integra INRI da Franco-Maçonaria Oculta, indica que é nesse momento que começa a aplicação do fogo filosófico sobre a matéria. O quadrado dos elementos (Ignis, Aqua, Terra, Aer), compreendendo o triângulo da constituição de todo ser (Anima, Spiritus, Corpus), indica a teoria do 2° grau da Obra.

O triângulo Separa, Dissolve, Depura, dominado pelo quaternário Solve, Fige, Coagula, Compone, indica a prática deste segundo grau da obra hermética. Enfim, todas essas operações redundam na criação de uma única e mesma coisa, REBIS, conforme define Pernety:

"O espírito mineral, crescendo como que da água, diz o bom Trévisan, mistura-se com seu corpo, na primeira decocção, dissolvendo-o. Eis porque se dá a ele o nome de REBIS, pois é feito de duas coisas, a saber, do macho e da fêmea, isto é, do dissolvente e do corpo dissolúvel, embora no fundo se trate de uma mesma coisa e de uma mesma matéria" (Pernety).

AZOTH (3° Círculo)

É a fênix alquímica que simboliza o terceiro círculo. O Fogo astral com todos os seus mistérios é claramente indicado nesta maravilhosa figura. As penas de pavão simbolizam as cores variadas que toma a matéria sob a influência deste fogo filosófico que chamusca sem arder, este fogo úmido e sutil representado pelas asas da Fênix. De resto, o vocábulo Azoth, indica por si mesmo, o sentido de toda a imagem.

"Azoth, segundo Planiscampi, significa meio de união, de conservação ou medicina universal. Observa também que o termo Azoth deve ser visto como o princípio e o fim de todo corpo e que encerra todas as propriedades cabalísticas, já que contém a primeira e a última letra das três línguas mães, o Aleph e o Thau dos hebreus, o Alpha e o Ômega dos gregos, o A e o Z dos latinos" (Pernety).

ELOIM

Acima desses três círculos, resplandece no triângulo místico o nome sagrado ELE-OS-DEUSES, Eloim, símbolo da Pedra Filosofal perfeita. Entramos aqui, inteiramente, no domínio da cabala. Assim, julgamos conveniente limitar aqui esta exposição já longa demais que o leitor mesmo poderá desenvolver a seu modo, com o auxílio de alguns elementos que lhe fornecemos.

PAPUS

Acrescentaremos pouca coisa a esta explicação hermética, tão ampla quanto precisa. Nós nos limitaremos a esboçar, em linhas o mais concisas possível, os dois sentidos cabalísticos da figura central.

Sentido comparativo ou psicológico

do emblema

O ANDRÓGlNO constitui a mais cativante imagem do Reino Hominal reconduzido ao seu princípio inteligível. Trata-se, em linguagem puramente hieroglífica, do símbolo absoluto do Ser Virtual que se exterioriza por meio daquilo que Fabre d'Olivet denomina "faculdade volitiva eficiente"; - do Ser Universal que se particulariza por sua submultiplicação indefinida através do espaço e do tempo; - do Ser Espiritual, enfim, que se corporifica e cai na matéria, por haver pretendido tornar-se centro e por se ter afastado da Unidade Divina, princípio central e fonte essencial de toda espiritualidade.

Segundo Moisés esotericamente interpretado(99), são as seguintes as etapas da queda; o Universal Adão FI} desdobra Aishah UV} ; desde então, ele próprio torna-se Aish VY} ; é o Intelecto Potencial do homem que se Realiza desenvolvendo a Vontade. Porém, o mau emprego dessa vontade faz com que ambos, homem e mulher, Intelecto e Vontade, caiam no mundo elementar: Aishah metamorfoseia-se em HEVAH UYU, a Vida Materializada, de que Adão se converte em esposo.

Voltemos à explicação que demos, em outra parte, sobre Hevah ou Heve UYU. Para não complicar mais ainda a nota, já bastante extensa, a respeito de I-eve e de Adam-eve(100), deixamos de assinalar, naquela oportunidade, a conversão em U Heth do primeiro U He de UYU (Hevah), que se torna UYR (Havah). Esse endurecimento da vogal inicial marca hieroglificamente a queda de Adão e sua conseqüência: a materialização, nele, da vida universal.

Ora, o Andrógino de Khunrath representa Adam-Eve ou o Homem Universal destroçado na matéria e naufragado no devir. Isso é expresso pelo globo elementar de Hilé (gLH)(101) que o Andrógino sustenta em suas mãos. Nesse globo acha-se inscrito o quadrado dos elementos, e no quadrado, por sua vez, o triângulo adâmico: corpo, alma, espírito.

Este esquema geométrico equivale e corresponde estritamente ao hieróglifo que os alquimistas usam como emblema da obra hermética realizada, da pedra filosofal obtida. A Grande Obra consiste, com efeito, em comprimir o Espírito (simbolizado pelo triângulo) sob a pressão da matéria (simbolizada pela cruz dos 4 elementos). O enxofre dos alquimistas, pelo contrário, é a Matéria dominada pelo Espírito. Também os adeptos, que são lógicos, exprimem-no pelo mesmo signo invertido.(102)

Para voltar ao triângulo aprisionado por um quadrado inscrito em um círculo, seria possível representar melhor a decadência do homem, encarcerado entre as quatro paredes de sua masmorra sinistra?... Passando do geral para o particular, os iniciados porventura não o entreverão, neste ternário vivo que comprime e retém cativo o quaternário dos elementos, o emblema de um temível arcano? Não lhes virá à mente a alma adâmica individual, primeiramente arrastada ao vertiginoso vórtice das gerações, depois se debatendo, presa das quatro torrentes elementares que a disputam? Pobre alma, aquartelada entre essas quatro potências de perdição, luta desesperadamente para atingir e conquistar o ponto central, equilibrado; a intersecção crucial, única; o lugar salvador em que sua encarnação poderá efetuar-se pelo menos sob a forma harmoniosa, ponderada e sintética do homem!

Se, por desventura, ela se deixar levar à deriva de uma das correntes, qual será sua sorte? Que se tornará? Algum elementar na natureza ou, caso se encarne, uma pobre inconsciência, centelha divina obscurecida por longo tempo e cativa sob uma das formas analíticas desmensuradas, anárquicas da animalidade.(103)

Reportemo-nos à figura mágica, à esfera substancial do Hyle, elaborada e renovada perpetuamente pela Luz secreta do universo: Etiam mundus renovabitur igne... Do princípio da encarnação, correspondente à mencionada esfera, passemos à realização, à efetivação desse princípio. Isso significa descer à esfera inferior em que Khunrath delineou continentes e mares; significa fixar nossos olhos no globo terrestre, considerado como tipo de todos os centros de condensaçao material, em que o universal Adam-Eve dispersa seus submúltiplos.

É lá o reino desse XLOS, a substância primeira criada: desse Tohou w’bohou YUPY YUZ ; desse abismo potencial (Thom JYUZ), gerador dessas duplas águas (Maim JWK) sobre cuja face o sopro gerador (Rouach Elohim JWUL} RYB) exerce seu poder Fecundante. O teósofo de Lípsia revela, aqui, para aqueles que sabem compreendê-lo, diversos arcanos relacionados à gênese material dos mundos. As fórmulas gravadas são, aliás, límpidas, e é proveitoso consultá-las atentamente...

O universal Adão, desintegrando-se, rolou até os confins; precipitou-se na cloaca da substância diferenciada, produzida por sua própria queda; disseminou-se, inexaurivelmente, semeando em profusão almas de vida cada vez menos inteligentes, cada vez menos morais e conscientes, até nas formas mais humildes da existência e do devir. Mas isso não é tudo. Uma vez dividido ao infinito, seu destino quer que ele se reconstitua em sua unidade ontológica; depois de ele ter descido, seu destino quer que ele ascenda, que ele evolua, enfim, depois de ter involuído.

Não abordaremos o problema - tão perturbador em sua profundidade oculta - das redenções mineral, vegetal e animal: esse mistério jamais será totalmente desvendado(104). Porém, tomando o ser adâmico nos dois terços de sua viagem de retorno, enquanto ele, já parcialmente livre dos estreitos e despóticos entraves com que a natureza física o sobrecarregou, pôde evoluir até a condição de homem. Permitimo-nos examinar, em linhas gerais, seu retorno à sua síntese verbal, o Adão celeste.

Por que esforços pode o homem carnal trabalhar para a reconquista do éden de sua divindade coletiva? Antes de tudo, pelo estabelecimento, desde esta esfera inferior, de um Estado Social hierárquico.

Em que se funda tal Estado Social? Antes de tudo, na Família.

Em que repousa a Família? Antes de tudo, no Amor.

O Amor aparece-nos, sob suas diversas formas, como sendo o princípio essencial da redenção e o instrumento primordial da reintegração.

Com relação aos indivíduos, o Amor é, com efeito, o elo moral que liga o homem à mulher; com relação às almas, ele é, ainda, o apelo magnético à vida objetiva; é ele que, infundindo nelas uma perturbação deliciosa, concita-as a encarnar-se e as faz rolar, vencidas, no turbilhão fatal das gerações. Com relação ao Estado Social, o Amor é, enfim, o irresistível procurador das raças: obseda, possui e cativa os amantes. Instilando neles um furor apenas saciável pela união dos sexos, ele abre incessantemente às pobres almas a porta estreita da existência física e terrestre.

Mas isso não é tudo: a estranha propagação dos tipos individuais ao longo da cadeia das filiações, esse fenômeno cujo vago nome de atavismo, na mente de tantos pensadores, designa apenas um impenetrável mistério - tudo isso só encontra solução no Amor!... Veremos oportunamente que, sob a forma sublimada da Caridade, é ainda o Amor que opera, pela ascensão primeiramente individual das almas, depois, por sua adição nupcial por grupos bissexuados e complementares, cuja fusão harmoniosa, em progressão matemática, resume a síntese relativa, que só encontra seu termo absoluto em Deus.

O Amor é a Terceira pessoa da trindade adâmica, pois, constituindo a relação comum dos dois esposos, sua relatividade sentimental, seu meio termo, em uma, procede do homem e da mulher, como o Espírito Santo procede do Pai e do Filho(105). Não é o Amor também o verdadeiro agente da encarnação? Aquele de quem o filho é verdadeiramente concebido? Do mesmo modo, misticamente nos é ensinado que, embora engendrado pelo Pai, o Cristo é concebido pelo Espírito Santo. Todas essas analogias são do mais alto rigor.

O Espírito Santo, aliás, é, por sua vez, o Amor-divino, o Amor exaltado no Mundo Espiritual: como a atração é apenas o Amor cósmico, o amor refratado no Mundo Elementar.

O que é verdade para os Mundos Divino ou superlativo e Natural ou positivo não é menos verdade para o Mundo Moral ou comparativo. O Amor é o terceiro termo da Trindade humana, pois é dele, como vimos, que é concebido o filho, nascido do Pai e da Mãe; e eis por que a fênix, que renasce de suas cinzas, irrompe e bate as asas entre as duas cabeças de mulher e de homem. Emblema da fecundidade eterna, a fênix simboliza, cabalisticamente, o Amor, no pantáculo de Khunrath.

Naturalmente, ao se considerar o grande andrógino, a cabeça de homem figura como solar, enquanto a cabeça de mulher se apresenta selênica. Do seio direito, marcado pelo signo sulfuroso , e do seio esquerdo, marcado pelo signo salino , jorram duas fontes perpétuas: símbolo das duas energias, ativa e passiva, que reagem mutuamente, para animar e reafirmar a substância prolífica do composto filosofal. O signo mercurial , colocado sobre o umbigo, indica o fator mediano de por .

Os dois braços, em que se acham inscritos os dois preceitos misteriosos - Coagula, Solve - sustentam a esfera dos elementos ocultos. Com isso, Khunrath nos ensina que o Mago, ou o homem completo, designado pelo Andrógino, pode dominar inteiramente o mundo elementar e agir sobre a Natureza naturada com uma espécie de onipotência, projetando ou atraindo para si a Luz Astral, substrato da quintessência.

Considerada como instrumento das transmutações universais, de que o homem pode tornar-se mestre e regulador, a Luz Astral revela-se em toda a extensão de sua ação pela fórmula dividida em caracteres de sombra sobre o feixe de fogo, tríplice e sêxtuplo, que se irradia e flameja na base da esfera central.

Porém, tomada como a própria substância da Alma vivente universal (Nephesh-ha-Haiah UWRU VAH ), que se distingue e se especifica sob inúmeras formas para gerar os seres dos quatro reinos(106), a Luz Astral torna-se o Azoth dos Sábios, e Khunrath a exprime pelo hieróglifo da fênix, instalada como um diadema singular sobre a dupla fronte do andrógino. A cauda do pavão, de que esse estranho pássaro ainda se vê bizarramente revestido, é, em alquimia, como disse Papus, o símbolo da obra, em determinado ponto de sua evolução espagírica. Uma variedade de cores cambiantes surgem então aos olhos, reverberando e parecendo irisar-se de infinitos reflexos enganadores. No sentido comparativo, a cauda de pavão, rica e multicor, simboliza as inúmeras formas e nuanças, infinitamente variadas, de que a matéria penetrada, elaborada, reanimada pelo espírito - reveste-se na progressão ascendente de todos os seres até o Ser. É o reino de Ionah (UHYW), a inexaurível fecundidade que, segundo a multiplicação quaternária, desenvolve a alma de vida distribuída indistintamente a todas as criaturas do universo(107). A hierografia é precisa nesse ponto: O Pássaro de Hermes significa o bem-aventurado princípio da vida vegetativa, que, agindo na profundidade espiritual das coisas corporais, é a própria alma da Natureza, ou a quintessência apta a fazer germinar todas as coisas.

Enfim, o triângulo supremo, que representa a pedra filosofal perfeita, esse triângulo em que Papus lê Elohim (JWUL}, Ele-os-Deuses) e em que julgamos, antes, decifrar o nome Aourim JWBY}, as Luzes (isto é, o princípio de todas as luzes: natural, hiperfísica e espiritual), é a manifestação ternária do fogo divino que se irradia do alto: V} Esch. Esse fogo dissimula para sempre, sob um véu de impetrável esplendor, a própria essência da incomunicável Unidade: princípio final onde, para concluir a evolução geral dos seres, ele deve, enfim, reintegrar-se e se ocultar.

Sentido superlativo ou metafísico

do emblema

Para a obtenção do significado de nosso pantáculo, do ponto de vista metafísico, é necessário revelar todos os mistérios do Tetragrama incomunicável UYUW (iod-he-vau-he), síntese divina do Universo vivo.

Ora, por um lado, seria desnecessário repetir aqui as explicações bastante detalhadas e precisas, já fornecidas anteriormente; por outro lado, o caráter inefável do Absoluto, esse Inominável manifestado pelo nome de UYUW desafia o esforço de nossas línguas analíticas e relativas.

Seremos, pois, extremamente sóbrio ao escrever: convém limitar esta nota a algumas indicações bastante breves.

Que nos baste observar que Esch V} representa o Espírito puro, universal, principalmente, que tece uma veste de luz inteligível ao místico Ain-Soph >YJ GW}, o ser-não-ser: Ser absoluto com relação a si próprio, pois ele é só, no sentido primordial(108), não-ser em relação a nós, que somos finitos e contingentes, pois o Relativo não pode compreender o Absoluto.

O triângulo de Aourim JWBY} figura o Verbo, indestrutível conjunção do Espírito e da Alma Universal: como Adão-princípio produz Eva-Faculdade, constituindo com ela uma unidade; como o Fogo V} produz a Luz BY}, constituindo com ela uma unidade; assim, o Espírito Universal produz a Alma Coletiva, constituindo com ela uma só e única coisa: o Verbo.

Este arcano parece ainda mais perfeitamente expresso pela figura central do grande Andrógino. Do macho W, emana a fêmea U. Sua síntese Iah UW constitui uma assimilação homogênea, coesa: símbolo eterno do Pai engendrando o Filho (por intermédio da Mãe Celeste ou Natureza-Naturante) e se reproduzindo na pessoa desse Filho. Quanto ao pássaro de Hermes, pairando acima do Andrógino, deve-se ver nele o Espírito Santo, Y, que procede do Pai e do Filho, de Deus e da Humanidade. Enfim, os globos que figuram abaixo representam o Reino ZYPLK (Malkuth), esfera de ação do segundo U, onde se exerce a exaurível fecundidade do Tetragrama no domínio da natureza naturada, mundo da substância plástica, das formas sensíveis, das imagens.

Assim como o quaternário Iod-heve UYUW, o quaternário Agla }LO} pode servir de chave a nosso emblema:

O primeiro Aleph (} = 1) exprime, assim, a Unidade principiante do Universo; Ghimel (O = 3), o ternário das pessoas em Deus; Lammed (L = 12), o desenvolvimento do ternário espiritual multiplicado pelo quaternário sensível (3 x 4 = 12), e a difusão do Ser Universal no Tempo e no Espaço. Enfim, o último Aleph, a Unidade principiante e final, ponto de partida e ponto de chegada; a unidade suprema para onde tudo retorna após o duplo movimento hemicíclico da Descida e da Ascensão(109), da Desintegração e da Reintegração, da Queda e da Redenção.

Fazendo um paralelo do que foi dito acima com as noções desenvolvidas anteriormente, será lícito ao leitor engenhoso desenvolver e completar para seu próprio benefício o sentido superlativo ou divino do Grande Andrógino cabalístico.

Nada negligenciamos de essencial; mas, colocando os princípios, não pretendemos demonstrá-los e, menos ainda, elucidá-los até as conseqüências que se podem deduzir.

Stainlais de Guaita - No Umbral do Mistérios
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A FONTE DA JUVENTUDE 
Sabemos que uma vida sóbria, moderadamente laboriosa e perfeitamente regular geralmente prolonga a existência. Mas é pouco, a nosso ver, a prolongação da velhice; temos o direito de pedir à ciência que professamos outros privilégios e outros segredos.
Ser por muito tempo jovem, ou mesmo voltar a sê-lo, eis o que pareceria, com razão, desejável e precioso para a maioria dos homens. É possível? É o que vamos examinar.
O famoso conde de Saint-Germain morreu, não duvidamos disso; mas nunca o viram envelhecer. Aparentava sempre quarenta anos, e no auge de sua celebridade afirmava ter mais de oitenta.
Ninon de l’Enclos, tendo atingido uma idade avançada, era ainda uma mulher jovem, bela e sedutora. Morreu sem ter envelhecido.
Desbarrolles, o célebre quiromante, há muito tempo é para todo o mundo um homem de trinta e cinco anos. Sua certidão de nascimento diria outra coisa, se ousasse mostrar-se; mas ninguém acreditaria.
Cagliostro sempre foi visto com a mesma idade, e não apenas pretendia possuir um elixir que devolvia aos idosos, por um instante, todo o vigor da juventude, como também gabava-se de operar a regeneração física por meios que detalhamos e analisamos em nossa História da Magia.
Cagliostro e o conde de Saint-Germain atribuíam a conservação de sua juventude à existência e ao uso da medicina universal, inutilmente procurada por tantos sopradores e alquimistas.
Um iniciado do século XVI, o bom e sábio Guilherme Postel, não afirmava possuir o grande arcano da filosofia hermética; e no entanto, após o terem visto velho e alquebrado, viram-no novamente com uma tez vermelha e sem rugas, barba e cabelos negros, corpo ágil e vigoroso. Seus inimigos pretenderam que ele se maquiava e que tingia os cabelos; pois os zombeteiros e os falsos sábios necessitam de uma explicação qualquer para fenômenos que não compreendem.
O grande meio mágico para conservar a juventude do corpo é impedir a alma de envelhecer, conservando-lhe preciosamente o frescor original de sentimentos e pensamentos que o mundo corrompido denomina ilusões, e a que chamaremos miragens primitivas da verdade eterna.
Acreditar na felicidade da terra, na amizade, no amor, numa Providência materna que conta todos os nossos passos e recompensará todas as nossas lágrimas é ser perfeitamente ingênuo, dirá o mundo corrompido; e não vê que o ingênuo é ele, que se acredita forte privando-se de todas as delícias da alma.
Acreditar no bem da ordem moral é possuir o bem: e é por isso que o Salvador do mundo prometia o reino do céu aos que se tornassem semelhantes às criancinhas. O que é a infância? É a idade da fé. A criança ainda nada sabe da vida; desse modo, resplandece de imortalidade confiante. Como poderia duvidar da dedicação, da ternura, da amizade, do amor, da Providência, quando está nos braços de sua mãe?
Fazei-vos crianças de coração e permanecereis jovens de corpo.
ELIPHAS LEVI
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