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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Composição a bunda dura


ODE A BUNDA DURA:

Tenho horror a mulher perfeitinha. Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, tá sempre na moda e é tão sorridente que parece garota-propaganda de processo de clareamento dentário? E, só pra piorar, tem a bunda dura? Pois então, mulheres assim são um um porre. Pior: são brochantes.
Sou louca? Despeitada? Então tá, mas posso provar a minha tese. Quer ver?
  • Escova toda manhã. A fulana acorda as seis da matina pra deixar o cabelo parecido com o da Patrícia de Sabrit. Perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do namorado, pegação, pra encaixar-se no padrão "Alisabel é que é legal". Burra.
  • Na moda: estilo pessoal, pra ela, é o que aparece nos anúncios da Elle do mês. Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso? JAMAIS! O que indica uma coisa: ela não vai querer ficar "desarrumada" nem enquanto tiver transando. É capaz até de fazer pose em busca do melhor ângulo perante o espelho do quarto. Credo.
  • Sorriso incessante: ela mora na vila do Smurfs? Tá fazendo treinamento pra Hebe? Sou antipática com orgulho-só sorrio para quem provoca meu sorriso. Não gostou? Problema seu. Isso se chama autenticidade, meu caro. Coisa que, pra perfeitinha, não existe. Aliás, ela nem sabe o que a palavra significa, coitada.
  • Bunda dura. As muito gostosas são muito chatas. Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico (isso quando não enfiam o dedo na garganta pra se livrar das 2 calorias que ingeriram), portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão. Bebida dá barriga e ela tem HORROR a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho com você. Cerveja? Esquece! Melhor convidar o Jorjão.
  • Pois é, ela é um tesão. Mas não curte sexo porque desglamouriza, se veste feito um manequim de vitrine do Iguatemi, acha inadmissível você apalpar a bunda dela em público, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps. Que beleza de mulher. E você reparou naquela bunda? Meu deus...
    Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilos a mais, mas é uma ótima companheira de bebedeira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas adora sexo. Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem chegam a ser um problema). Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade. Nem pra dela, nem pra sua.

NOTA:
Esse texto é um clássico da troca de autoria. Há milênios circula na Internet como sendo de Arnaldo Jabor. O jornalista está cansado de ter textos que não são dele circulando com seu nome, no que tem toda a razão, mas também não precisava ser grosseiro. Luis Fernando Verissimo foi bem mais polido ao divulgar que não era autor do Quase e negar a autoria de coisas como "Um dia de merda". São dois lados de uma terrível moeda: o escritor que vê seu texto, seu legítimo texto (não importa se curto ou longo, feio ou bonito, é seu) circulando com o nome de um outro autor, que não moveu uma palha para merecer os créditos, e o escritor que vê seu nome, seu legítimo nome (não importa se curto ou longo, feio ou bonito, é seu) adornando o texto de outra pessoa, que nada tem a ver consigo. 

Deve-se evitar a ignorância de achar que quem escreve o texto é a mesma pessoa que altera o autor. Em minha experiência com autoria trocada, só vi isso acontecer uma única vez. Geralmente o autor do texto é tão ou mais vítima do que o cara a quem o texto foi atribuído. Refletir e respeitar nunca fez mal a ninguém. 

Aí vai o texto e o comentário da verdadeira autora, Ailin Aleixo, publicado na revista Vip. 

EU NÃO SOU O JABOR, NÃO! 
Andam confundindo minha bunda com a do colunista do Estadão 
Ailin Aleixo 

Há meses um texto meu circula na internet como se fosse do Arnaldo Jabor. Ele já ficou tão puto com essa história de ser elogiado por algo que não é dele que escreveu duas crônicas no jornal O Estado de S. Paulo detonando o autor real do texto, que, na opinião dele, é uma baranga que tenta imitar seu estilo. Eu tentei contatá-lo de todas as formas para esclarecer a situação, mas o moço prefere xingar a se dignar a falar comigo... Então, só para desencargo de consciência, deixo aqui a prova de que "Ode à bunda dura" é meu e ninguém tasca.