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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

MUNDO REAL, MUNDO VIRTUAL... qual você tem preferido?


PARA REFLEXÃO:


Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha naquele dia atribulado para  comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava  desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias, que há tempos não sei o que são.  
          Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga,uma   salada e um suco de laranja, pois afinal de contas fome é fome, mas regime  é regime, né? Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha   atrás de mim: 

              -Tio, dá um trocado? 
              - Não tenho, menino. 
              - Só uma moedinha para comprar um pão.   
              - Está bem, compro um para você.   
 Para variar, minha caixa de   entrada estava lotada de e-mails. 
Fico distraído vendo poesias, as   formatações lindas, dando risadas com 
as piadas malucas. Ah! Essa música   me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos. 

              - Tio, pede para colocar margarina e queijo também?   
              Percebo que o menino tinha   ficado ali. 
              - OK, mas depois me   deixe trabalhar, pois estou muito ocupado, tá? 

              Chega a minha refeição e junto com ela o meu   constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero   que mande o garoto ir. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer.  Digo que está tudo bem. 

   - Deixe-o ficar. Traga o pão e mais uma refeição   decente para ele. 

              Então o menino se sentou à minha frente e perguntou:   

              - Tio, o que está fazendo? 
              - Estou lendo uns e-mails. 
              - O que são e-mails? 
              - São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via   Internet. 

  Sabia que ele não iria   entender nada, mas a título de livrar-me de maiores questionários disse:   

              - É como se fosse uma carta, só que via Internet.   
              - Tio, você tem Internet?   
              - Tenho sim, é essencial no   mundo de hoje. 
              - O que é   Internet, tio? 
              - É um local no   computador onde podemos ver e ouvir muitas 
      coisas, notícias, músicas,  conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, 
      trabalhar, aprender. Tem tudo no   mundo virtual. 
              - E o que é   virtual, tio? 

              Resolvo dar uma   explicação simplificada, novamente na certeza 
que ele pouco vai entender e  vai me liberar para comer minha refeição,  sem culpas. 

              - Virtual é um local que imaginamos, algo que não   podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos   de fazer. 
      Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como   queríamos que fosse. 

              - Legal   isso. Gostei! 
              - Mocinho, você   entendeu o que é virtual? 
              - Sim,   tio, eu também vivo neste mundo virtual. 
               - Você tem computador? 
               - Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual.  Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu   fico 
cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome, e eu dou  água para ele pensar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz   que vai vender o corpo, mas eu não entendo, pois ela sempre volta com o  
corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida muitos brinquedos de Natal , e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isto não é virtual, tio?   
              Fechei meu notebook, não antes   que as lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino terminasse de literalmente   'devorar' o prato dele, paguei a conta e dei o troco para o garoto, que me  retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que eu já recebi na  vida, e com um 'Brigado tio, você é legal!'. Ali, naquele instante, tive a   maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias,  enquanto a  realidade cruel rodeia de verdade, e fazemos de conta que não  percebemos!