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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Existe realmente nossa Alma Gêmea?


:: Graziella Marraccini :: 

Um dos questionamentos mais complexos e íntimos do relacionamento humano é aquele proposto pelo casamento, ou seja, pela união de dois seres que procuram a felicidade - cada um a seu modo - e que pode ter um resultado especialmente gratificante ou desoladamente depressivo. O casamento oferece os extremos seja da felicidade que da servidão humana, com um maior ou menor grau entre esses dois pontos, muitas vezes permanecendo ‘no meio termo’.
Mas será que essas uniões são predestinadas? Será que é necessário que um parceiro encontre a felicidade no casamento enquanto outro experimente somente a tragédia nessa mesma instituição? Em que condições - se elas existem - essas circunstâncias se baseiam? Quando o casamento é aconselhável ou desaconselhável? É possível determinar por antecipação se existe uma outra pessoa com a qual a felicidade seja possível, uma pessoa que realmente nos complete e nos proporcione a tão almejada felicidade? O que nos leva a procurar esse parceiro ideal, ou idealizado?

Mais prudente seria afirmar que a maioria dos casamentos é o resultado de uma irresistível atração física. Especialmente quando são feitos na juventude, onde os fatores hormonais e físicos têm maior peso sobre as decisões de cada um de nós. E isso também explicaria também a razão do alto grau de divórcios na sociedade moderna.
Pois é, um casamento bem sucedido deveria também ser baseado na compreensão do processo de reencarnação. Isso quer dizer que uma pessoa deveria encontrar seu par não só fisicamente como espiritualmente e compreender que é através dessa união que ele terá a oportunidade de evoluir sua consciência. Parece uma tarefa impossível, não é mesmo? Mas vamos procurar analisar alguns fatores que nos ajudarão a evitar uma escolha irrefletida e conseqüentemente, fadada ao fracasso.

A Doutrina da Alma, conforme é explicada pelos cabalistas, irradia luz sobre esse assunto. O Zohar prega que todas as almas existem desde o início da Criação. De fato, esse livro sagrado do judaísmo vai além, afirmando que essas almas pré-existentes já estavam pré-formadas em sua inteligência individual enquanto ainda se encontravam escondidas no útero da eternidade. Quanto o Criador ‘pensou’ (imaginou) o mundo, todas as almas foram concebidas com essa idéia divina, cada uma com sua forma peculiar. Assim concluímos que, sendo nós uma criação da Mente Divina, existimos desde que Deus começou a imaginar o mundo manifestado. Neste ponto vale a pena lembrar o Primeiro Princípio Hermético - Deus é Mente, o Universo é Mental. Depois, quando Deus ‘formou’ o mundo, as almas foram moldadas e materializadas e se apresentaram perante Ele para procurar sua tarefa no caminho de evolução. É desse ponto de vista que podemos interpretar a ‘expulsão do Paraíso’, que de fato, expulsão é, como se as almas fossem bilhões de espermatozóides ejetados de dentro de Deus! Podemos também concluir que essa é uma idéia rudimentar daquilo que atualmente chamamos de ‘inteligência extra-terrestre’, ou seja, forças inteligentes externas à vida física, prontas para se manifestarem.

A idéia de que as almas são essencialmente ‘forças inteligentes’ torna-se cada vez mais enraizada, especialmente por causa do interesse que os cientistas modernos demonstram acerca dessa tese. Creio que ela pode parecer bastante natural, se ao menos paramos para pensar sobre a questão da vida inteligente no universo. Segundo o Zohar, essas inteligências existiam muito antes da Criação do Mundo. Elas estavam como que latentes dentro da Luz Infinita. De fato, as almas não são nada mais do que centelhas ou chispas divinas, com um Desejo de Receber próprio que as impele a serem alimentadas de Luz. Elas foram criadas dentro do Universo sem fim e fazendo parte dele. Ou seja, as almas são um Desejo de Inteligência e como tais, anseiam receber a Luz! Bonito, não é?

Bem, mas o que acontece depois que essas forças são efetivadas, ou seja, que elas tomam forma? Como essas vidas inteligentes se tornam manifestadas no nosso Universo? Na manifestação, ou seja, no mundo da Criação, (explicado naCabala como segundo estagio) existe a dualidade, e portanto a alma inicial é dividida em dois para poder se manifestar na matéria (terceiro e quarto estagio). Então podemos concluir que, ao se manifestar na Terra, a alma procura sempre encontrar a sua contraparte. Mas essa contraparte poderá ser encontrada somente quando for conseguido um particular nível de espiritualidade, um estado alterado de consciência, superior aos desejos inerentes do corpo encarnado. Lembrando que o corpo é somente o veículo físico, a alma deveria encontrar sua ‘outra metade’ na outra alma encarnada. É por isso que falamos em ‘alma gêmea’ e não em ‘corpo gêmeo’! Mas é especialmente a alma ‘macho’ que precisa fazer esse caminho espiritual, já que a alma ‘fêmea’, já nasce com esse conhecimento. De fato ela já encarna dotada do conhecimento do nível de Binah, (que é a Sefiroth da Estrutura da Forma) e portanto ela já encarna sem a necessidade de lutar para encontrar esse nível de conhecimento para esse propósito.

Assim, parece que a alma ‘fêmea’ encarna com uma maior sensibilidade natural, mesmo se nem sempre ela compreende seu valor. O corpo físico, que inclui as emoções e o intelecto, representa somente 1% da manifestação de seu total. Ou seja, enquanto a alma encarnada estiver movida por esse 1% estará cometendo erros após erros. Então, quando procuramos nossa alma gêmea, não é suficiente sentir atração física e emocional, precisamos também e principalmentereconhecer a Luz no interior da outra pessoa. O amor que depende de algo físico, desaparece quando este algo desaparece. Assim, o amor baseado na atração física, desaparece quando essa termina. O amor baseado no status social (ou qualquer outra condição) desaparece quando essa condição não está mais presente.

Qual a mensagem? Se não amamos a Luz no interior da outra pessoa, não amamos realmente essa pessoa. 

Assim, amar é algo maior do que a condição física de amar. O amor verdadeiro implica em compreender que o AMOR - tal como nós o praticamos - foi criado como um treino para que aprendamos a amar a Força da Luz do Criador dentro de todas as criaturas!
E aí está a resposta para nosso problema! O Amor transcende uma determinada pessoa, mesmo se é numa pessoa que encontraremos esse amor e, portanto, a nossa ‘alma gêmea’!
Será que conseguiremos procurar amar a centelha divina que existe em todas as criaturas? Somente assim nunca nos sentiremos vazios e solitários como quando um amor - físico - acaba! Quando acaba o ‘fator 1%’ devemos pensar que estamos ainda com o restante, os outros 99%; como então nos sentir sozinhos? Não deveria ser o contrário?

Vamos fazer um exercício: imaginem um cofrinho de guardar centavos (como aqueles de antigamente). Ele está repleto de moedinhas que representam atos de amor.
Ao abrí-lo podemos escolher se gastar todas essas moedinhas de uma só vez, com um grande amor, por exemplo, ou com uma só pessoa, ou se gastar cada pequena moedinha (cada pequeno gesto ou palavra de amor), uma por dia, com muitas pessoas, carentes de nosso carinho! Uma palavra de amor hoje, um gesto de amor amanha... e... milagre, poderemos verificar que nosso cofrinho não se esvaziará nunca! Pois a Luz Divina continuará a enchê-lo com outras tantas, milhares de pequenas moedinhas!
Os atos de amor se multiplicam.

Confiem meus leitores: somente o Amor atrai o Amor. Amem profundamente e sem restrições. E seu cofrinho permanecerá sempre cheio!